Adivinha quem foi demitida???

A mulher que vos fala estava em processo para ser promovida desde novembro do ano passado e desde janeiro esperava pela conclusão da última etapa dessa promoção. Juro pra vocês, devo ter recebido uns três comunicados por mês sobre “estamos vendo as turmas mas logo chega sua vez!” pelos últimos meses.

Entre fevereiro e março, remarcaram esse treinamento final três ou quatro vezes e no fim de semana anterior ao treinamento, me informaram que, ao invés de treinar para subir de cargo, eu treinaria para……… trabalhar mais. Iriam me mudar de LOB.

Fui fazer esse treinamento PUTA como era de se esperar, tive que ver o coordenador mentir na minha cara que minha promoção tinha sido adiada e todo mundo que estava na sala comigo me ouviu dizer que eu só estava aceitando porque ainda queria ser promovida.

Logo depois da Páscoa, com uma semana trabalhando no LOB novo, vocês podem imaginar o que aconteceu: fui chamada na salinha virtual porque trabalho de casa. Aparentemente, todo mundo vai ser mandado embora e meu processo para ser promovida foi completamente cancelado, sem a possibilidade de eu finalizar em outra operação.

Ou seja, não tinham como me deixar de boa no produto que eu gostava de atender. Eles precisavam muito explorar ao máximo os trabalhadores que vão pro olho da rua. E o pior de tudo é que querem gastar o menos possível com essa demissão, por isso, estou aqui de otária cumprindo aviso prévio.

Foram quase três anos nessa empresa fazendo um trabalho que, embora trabalhoso, eu gostava. E eu sei objetivamente que não se deve confiar em empresa nenhuma, ainda mais uma holding gringa que só faz ir atrás de mão de obra barata, mas eu não odiava meu trabalho (odiava alguns clientes e odiava alguns processos, mas em geral estava tudo bem!).

Então, por favor, não estranhe esse início de newsletter um pouco mais diariúdo do que o normal, e um tanto quanto pessimista ou irritado. Eu me sinto pessimista e irritada, mesmo sabendo que terei uma rescisão, mesmo já planejando alguns meses de sossego e paz antes de ir atrás de um novo emprego. Como disse minha roommate, eles desperdiçaram meu tempo. Tem coisa mais irritante que isso?

📺 Hong, a infiltrada (2026)

Uma série coreana que me surpreendeu recentemente foi Hong, a infiltrada, que eu comecei a assistir por tédio e acabei estranhamente engajada.

A inspetora fiscal Hong Keumbo estava há anos tentando levar adiante uma denúncia de corrupção de uma das maiores empresas de ações da Coreia do Sul, mas seus planos sempre acabavam dando errado, até que o filho do presidente dessa empresa entra em contato para denunciar o Caixa 2 da família. O problema é que bem quando ele vai entregar o livro-razão, ele acaba morrendo em um acidente suspeito.

Desacreditada no trabalho e sem opções, Keumbo com o apoio de seu chefe acaba se infiltrando na empresa como um tipo de estagiária — num cargo oferecido apenas para mulheres jovens e solteiras. Como a vaga tinha limite de idade, ela acaba combinando com sua irmã mais nova de usar a identidade dela e como essa irmã é envolvida com moda, ela também ajuda Keumbo a se vestir e se comportar como uma jovem de 20 anos.

É como Hong Jangmi e tentando ter 16 anos a menos que sua idade real que a nossa prota vai tentando desenrolar todo esquema do Caixa 2 sem deixar de ajudar suas colegas estagiárias e todos os funcionários da empresa em meio à uma Coreia do Sul vivendo a crise do FMI.

O que mais me chocou foi que o roteiro conseguiu se sustentar por 16 episódios sem recorrer às tropes típicas de série coreana, como alguém perdendo a memória ou tendo que se mudar de país por anos e anos para voltar só muito depois. Eles conseguiram encontrar assunto para preencher cada um desses episódios e nos dar um final tão satisfatório que é quase difícil de acreditar (acredite em mim, são poucos os k-dramas que conseguem ser bons do início ao fim!).

Então a cada fim de semana que os episódios novos saíam, cada vez mais eu gostava da série e é por isso que eu super recomendo se você está afim de ver uma comédia cheia de personagens femininas incríveis de fortes e um final satisfatório!

📚 The fragrant flower blooms with dignity, de Saka Mikami (22 volumes e contando)

Na verdade, eu alcancei os capítulos semanais já no comecinho de abril, mas essa foi a leitura principal de março, então quero falar dela aqui!

The fragrant flower blooms with dignity veio a mim primeiro como anime e eu mencionei em algum lugar dessa newsletter o quanto tinha gostado, como também disse que estava afim de ler. Depois que eu terminei de ler Frieren, resolvi pegar essa leitura e ela foi um pouco mais lenta do que outros mangás que eu estava lendo (Dandadan, por exemplo, eu ENGOLI em menos de um mês, e virtualmente elas têm a mesma quantidade de capítulos).

Isso porque os capítulos aqui são um pouco mais longos e se tratando de uma história slice-of-life, o passo é um pouco mais lento. Além disso, senti que a autora pesa um pouco a mão no conceito (e falas) “você é tão bonzinho!”.

É claro que é muito legal ter um protagonista que sejam um coração mole mesmo com sua cara de durão, mas às vezes parece que falta textura para vários personagens que ficam escorados nessa história de ser tão bonzinho, com um coração tão bom, não sei o que… tipo… é claro que existem pessoas boazinhas, ou super empáticas (meu irmão é assim), mas os personagens falam isso demais, as situações cotidianas não dão espaço para o contraditório e acaba cansando um pouco na leitura.

Entretanto! ☝🏼 Os personagens são muito queridos e a história desenvolve bem o suficiente para você se apegar a eles. As cenas de beijo da Kaoruku e do Rintaro são muito bonitinhas, o quase-romance secundário está indo num caminho interessante e agora que a história está entrando na reta final — ao que tudo indica, ela não deve passar da formatura de ensino médio dos personagens — as narrativas estão começando a se amarrar, inclusive em relação a treta entre as duas escolas vizinhas.

Então é, levou um pouco mais de tempo para eu alcançar essa história do que os outros mangás que acompanhei e li recentemente, mas mesmo assim estou gostando e recomendo pra todo mundo que gosta de uma boa historinha cotidiana pra passar o tempo sendo feliz!

📺 Emergência radioativa (2026)

Alguns anos antes de eu nascer, o Brasil teve um caso insano de contaminação radioativa que eu só lembro de ter visto mais ou menos por cima no cursinho antes de entrar na minha primeira faculdade. Eu nunca tinha ido atrás de verdade para saber o ocorrido, embora eu soubesse que tinha sido por causa do Césio-137 encontrado na máquina de raio x, que as pessoas ficaram encantadas com o brilho azul e passaram no corpo sem saber do perigo, mas detalhes? Nah.

Por isso me interessou muito ver Emergência Radioativa e nossa, que série grandona! Instigante, eu fui atrás de ler um monte de coisa sobre o incidente depois de ter assistido e me levou pouco menos de 6 horas pra terminar de assistir 😅 eu simplesmente não consegui parar até terminar.

Como não se trata de um documentário e sim de uma serialização, muitos personagens são junção de várias pessoas que viveram a situação surreal que foi sofrer uma contaminação radioativa, mas as figuras principais como Leide e Maria Gabriela foram bem retratadas sob os nomes de Celeste e Antônia — nomes esses que precisaram ser alterados para preservação das pessoas reais (embora tenha gente que não entenda o motivo disso acontecer, é só dar um Google que você vê um monte de equívocos sendo feitos).

No fim das contas eles conseguiram o que queriam, que era jogar luz sobre um acontecimento importantíssimo da história do Brasil que acho que só quem é da região estuda à fundo.

Super recomendo!

💿 WOODZ — Archive 1

Meu primo Luiz que jogava na base do Corinthians teve seu primeiro comeback oficial pós-exército com o álbum Archive 1 que tem impressionantes 17 faixas e é uma ótima mistura de referências.

O álbum já abre com 00:30 e Super Lazy, que foi claramente inspirada pelo Gorillaz e daí pra frente tem um mix impressionante de Panic, Ramones, Muse (especialmente na título Human Extinction), The Stooges, The Runaways… em resumo, um prato cheio para quem gosta de rock.

WOODZ, embora tenha o título de “idol de kpop”, sempre foi um ótimo rapper (inclusive participando do Show me the money) e era comumente conhecido como “all rounder”, mas como cantor solo ele andou pelo R&B por bastante tempo até se aventurar de vez no pop rock, de onde nunca mais saiu.

Entre as minhas faixas preferidas no Archive estão Plastic, GLASS e a dramática Cinema, mas sério, o álbum é bom demais e você deveria dar play! Para quem ama seu som mais melancólico, fique sabendo que ainda há uma melancolia no que ele lançou de mais recente (To my January, que fecha o álbum, é um country rock que deixaria Blake Shelton emocionado), mas talvez tenha que ser bem eclético para ouvir a discografia do gato do início ao fim, porque do Colorful Trauma pra cá, o som só ficou mais pesado.

Felizmente ele só lançou música do jeito que eu gosto! ☝🏼

📺 Uma mente brilhante (2024—)

E, no fim das contas, caí no buraco de High Potential. Eu vi tantas vezes a cena inicial dessa série em reels, shorts e cortes do tiktok que jurava que ela estava rodando há anos, mas quando peguei para assistir ano passado, fiquei chocada ao perceber que o último episódio da primeira temporada era o último que existia!

High Potential voltou ano passado e a segunda temporada acabou de acabar. A história engraçada é que minha roommate trabalha no suporte do Disney Plus, então eu ficava perguntando de brincadeira “cadê high potential?” e “como assim a série acabou??” porque é esse o tipo de fã que essa série gera, pelo visto haha

Se você não trombou com cortes da série como eu, a protagonista é Morgan, uma mulher com QI elevadíssimo que trabalha na limpeza de um departamento de polícia no período da noite. Certa feita, ela está em suas limpezas quando vê o quadro de uma investigação e “arruma” as informações que estão ali. No dia seguinte, quando os investigadores chegam, eles vão atrás de descobrir quem tinha feito aquilo e porque e é assim que Morgan com sua mente brilhante 🥁 acaba auxiliando a polícia e posteriormente trabalhando como consultora para eles.

A trama central que acompanha os episódios procedurais é que o ex-namorado de Morgan desapareceu há 15 anos e ela quer saber a verdade do que aconteceu, porque ele não iria embora assim, especialmente porque eles tinham uma filha. Em troca dos seus serviços, a tenente que a contratou investigaria esse sumiço e okay, eu acho sim que essa parte do enredo está demorando demais para desenrolar, mas entendo porque estão fazendo dessa forma: eles querem e acreditam que a série dure muitas temporadas.

Para uma pessoa que assistia muito CSI e suas variantes na adolescência, encontrar High Potential foi um achado! A série é bem escrita, os personagens são incrivelmente carismáticos e quando você percebe, se importa com todos eles. Então se você também gosta de séries policiais, ou procedurais ou de gente inteligente, essa é a série pra dar play.

Dessa vez, vou colocar menos de uma página do que escrevi, porque tem muito spoiler, mas saiba que eu estou amando essa história da Solene, viu?! Aproveitem!

Treze

2.123

Posteriormente, ela descobriu que já estava há uma semana no meio da mata, próximo à Estrada Caminho do Mar, quando finalmente abriu os olhos completamente apavorada, dolorida e sem a menor ideia de quem era.

Foi um momento errático de se debater e girar e desesperadamente pegar a agulha que estava em sua nuca, arrancá-la com um puxão. O objeto saiu vermelho e um pouco de sangue escorreu pela sua nuca, sujou a gola da camiseta. Ela estava descalça e suas roupas estavam curtas demais, um tanto quanto apertadas.

Ela não sabia o próprio nome.

Sentada naquela banheira estranha, coberta de um tipo de gel, ela se sentiu imunda. Onde poderia estar? Melhor ainda: por que tinha outras banheiras ali… vazias?

Nada era familiar naquele lugar e muito menos nela mesma. Ela se sentia incrivelmente inconsciente de si mesma, como se sua mente e corpo estivessem trabalhando separadamente.

Era um porre.

Desafio de leitura 2026: limpar a estante lendo um livro ainda não lido por mês

  • Linha M, de Patti Smith — em pausa ❄️

  • Mo Dao Zu Shi (#2 e #3), de Mo Xiang Tong Xiu

  • Jogador Número Dois, de um cara aí

  • Qualquer coisa entre nós, de Ju Giacobelli

  • O sol nasce para todos, de Harper Lee

  • Para aqueles que vivem, de Ju Giacobelli

  • Boca de Siri, de Paulo Moreira

  • Daruma #1, de Monge Han

  • Cavaleiro das trevas, de Frank Miller et al

  • Blade Runner, de Philip K. Dick

  • Ubik, de Philip K. Dick

  • Alice in Boarderland #1, de Haro Aso

  • Um farol no fim do mundo, de Ju Giacobelli

  • Caixa de silêncios, de Marcella Rossetti

  • Estúpido cupido, de Ayslan Monteiro

  • Pipa: Voo, de Helô D’Angelo

  • Azul da cor do mar, de Baco Aquiles

  • Coronel Mostarda com o castiçal na biblioteca, de Ju Giacobelli

  • Guia completo de Fullmetal Alchemist (#2 e #3), de Hiromu Arakawa — volume #2 retomado

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