
Na edição passada eu estava muito puta por ter perdido o emprego, tenho certeza que quem leu aquela newsletter está com essa informação fresca na cabeça. Por um lado, eu fiquei muito incomodada por ter que cumprir aviso prévio e já que eu estava sendo chutada, optei por trabalhar 7 dias a menos.
O que eu não poderia imaginar aconteceu: esse tempo trabalhando com um pé na rua foi suficiente para que eu estivesse em paz no meu último dia, quando entreguei todo maquinário do home office.
Foram cerca de 23 dias batendo o ponto ali, encerrando o atendimento sem me preocupar com a avaliação do cliente, fazendo apenas algum esforço para demonstrar empatia, já que pelo KB era pra gente atender feito robô de qualquer maneira, e no fim das contas consegui sair da firma sorrindo ao invés de chorando de raiva (que com certeza seria como aconteceria se eu tivesse sido desligada de imediato).
Talvez a forma de superar seu (ex-)emprego em 23 dias seja fazendo aquele aviso prévio, quem diria?
Então em notas mais felizes, voltei a escrever com tudo desde mais ou menos meados de abril! Eu sei que falo isso todo mês, mas está sendo muito legal ver as coisas do livro da Solene finalmente se encaixando. Sei que esse livro especificamente não tem como sair em 2026, mas vou publicar algo no segundo semestre, por isso, fique de olho 👀
Enquanto isso, vamos seguir com a programação normal de listinha de recomendações e um texto para vocês não esquecerem de mim.
🎧 Xdinary Heroes — X room
Eu costumo gostar do que o Xdinary Heroes lança, embora algumas coisas sejam melhores que outras, em geral nada é objetivamente ruim. Mesmo assim, eu acabo esquecendo de ouvir os lançamentos assim que eles saem.
Tendo isso em mente, o Youtube fez questão de me mandar X room, o pré-lançamento do álbum mais recente (Dead And), que é dramática de um jeito alegre, lindinha e de aquecer o coração.
Já mencionei antes que os vocalistas do XH são muito bons e têm um talento especial para imprimir emoção quando cantam, então era de se esperar que eles me agradassem, né? 😅
Eu ainda não tinha visto o MV, então gostaria de recomendar que você veja, porque a historinha dele é tão gracinha quanto você imaginaria que fosse só de ouvir o álbum.
📚 The ramparts of ice (12 volumes e contando)
Parede de Gelo veio a mim como um novo anime na Netflix e eu imediatamente fiquei encantada com a protagonista Koyuki, uma garota quieta que sofre de resting bitch face (algo que contribui para que ela fique mais na dela ainda).
Koyun teve uma experiência ruim com os colegas do fundamental II, por isso não quer fazer muito esforço para se relacionar com ninguém no ensino médio, resultando em ter apenas sua amiga de infância, Miki, para lhe fazer companhia. Um dia, por puro acaso, dois garotos de outra turma param pra conversar com ela e naquela mesma semana um desses meninos acaba ajudando-a a se livrar de alguns assediadores na rua.
A partir daí, Koyun descobre que esses dois garotos já são amigos de Miki e aos poucos vai se abrindo para fazer amizade com eles também.
Ramparts of ice ainda está com poucos episódios na Netflix, mas no Japão o mangá está finalizado. Como eu senti que iria shippar errado, fui atrás de ler e descobri tanto a questão da história estar terminada quanto o fato dela ter sido publicada como webcomic, tipo manhwa, completamente colorida!
Então além do traço levemente diferente do que a gente tem visto atualmente nos lançamentos, todas as páginas são em cores com um estilo narrativo bem descontraído. Eu amo as carinhas miniatura dos personagens, especialmente o resting bitch face da Koyun e o olhar de quem não tem nada na cabeça da Miki 🤭 os demais personagens têm tempo suficiente para se desenvolver e todos acabam sendo bem gostáveis (embora alguns irritem no começo).
Em geral, meu top 3 de mangás lidos esse ano está todo composto por histórias escolares: Komi can’t communicate em primeiro, Blue Box em segundo (vou falar dele na próxima newsletter!) e Ramparts of Ice em terceiro.
Estou lendo esse mangá online em inglês e a tradução ainda está em andamento. São 14 volumes ao todo, mas a tradução já chegou no 13, então está acabando também. Recomendo tanto a leitura quanto o anime, pois os dois são muito bonitinhos e vão ocupar seu tempo de um jeito delicioso!
📺 Ronaldinho Gaúcho (2026)
É ano de Copa do Mundo! Por acaso eu acho que o Brasil vai ganhar? Amore, eu mal acho que eles vão passar da fase de grupos (minha aposta é chegar NO MÁXIMO nas oitavas), mas isso meio que não me impede de me sentir um cado nostálgica, um cado saudosa.
Então é claro que eu fui assistir o documentário sobre o Ronaldinho Gaúcho na Netflix, já que foi ele quem eu vi jogar em 2002. Tenho uma lembrança muito vívida na cabeça de estar tentando assistir aquele jogo das quartas de finais. Ênfase no “tentando”, porque era um daqueles jogos da madrugada e eu tinha 12 anos, gente, eu dormi ele quase inteiro.
“Se você tinha 12 anos, por que estava assistindo de madrugada?!” Pois bem, a professora de educação física da época estava dando ponto pra quem fizesse um relatório sobre cada jogo da seleção e o primeiro jogo da madrugada eu até consegui assistir de boa, mas esse segundo eu não sobrevivi muito não.
Essa lembrança está sendo contada aqui, porque o ponto chave dela é que eu acordei durante a comemoração do gol que o Ronaldinho fez, eu lembro dessa cena com clareza na tela da TV de tubo que a gente tinha em casa.
Queria que o documentário desse mais detalhes sobre aquela copa e só depois entendi porque só foi passado por cima (enquanto eu procurava o documentário do tri, descobri que já tinha um do penta, assisti esses dias!). Também queria que alguns aspectos da carreira do Ronaldinho fossem melhor explorados.
Para um documentário que se esforçou para ser em três episódios ao invés de um filme de menos de duas horas, pareceu que muita coisa foi apenas mencionada, dando um ar de superficialidade à linha do tempo do Ronaldinho. Entretanto, de maneira geral, o documentário é bem divertido de assistir para conhecer melhor a pessoa do Ronaldinho além dos memes de rei do rolê aleatório e os vídeos de bruxaria em campo.
Saudades de uma seleção, não é mesmo? Saudades de ter jogadores.
Deve ser por isso que está saindo tanto documentário e filme sobre nossas seleções vitoriosas.
💿 WOO — mp3
Gente do céu, há quanto tempo eu não via uma atualização musical do Woo? Tempo demais?! Pelo que estou vendo aqui, a última vez que ele soltou música foi em 2024, mas acho que parei de ouvir antes disso, talvez eu tenha parado de seguir ele no Instagram? Vou ter que conferir se foi isso ou se o algoritmo me boicotou.
BEM!
O Woo é um rapper coreano que surgiu através do Show me the money 6, se não me engano. Na época, eu shipava muito ele com a Asol porque eles tinham a mesma idade e eram os dois tampinhas da equipe e quando eles foram eliminados, parei de assistir a temporada, nem lembro quem ganhou naquele ano 🫶
Me bateu uma emoção quando vi que ele tinha lançado ep novo que fiquei em completo estado de “a Morena tá viva!”, corri pra ouvir e fui agraciada com um hip hopinho levemente fedido que recuperou minhas energias!
Todo o EP é bem sólido com algumas pérolas, sendo as minhas preferidas 30, Cocky e Slow Down. Mas a melhor coisa mesmo foi relembrar a discografia do Wonjae que tinha sido enterrada quando eu soltei da mão do Spotify. Delícia, viu!
(completamente não relacionado, mas acabei lembrando desse momento aqui. que ano incrível foi 2019!)
📺 Spy X Family (2022—)
Ai, gente, eu amo muito Spy X Family! É horrível estar acompanhando os capítulos quinzenalmente, vou te contar, porque eu quero minha dose de família Forger e agregados toda de uma vez ao invés de ser em conta gotas!
Foi esse o motivo de eu não acompanhar a última temporada enquanto ela ainda estava sendo exibida e optei por ver quando tudo fosse colocado na Netflix. Isso, e o fato de eu não ter Crunchyroll e estar com preguiça de piratear.
A terceira temporada cobre alguns arcos emblemáticos de SXF, como o passado do Twilight e o meu preferido: o sequestro do ônibus escolar. Eu amo a Anya e o Yuri, gente! Foi até por isso que eu senti falta de uma cena da SSS quando os colegas precisam literalmente amarrar um Yuri feroz na pilastra porque ele queria de qualquer jeito ir resgatar a filha da irmã querida dele 🤭
Ele é tão over the top que não tem como ficar com raiva dele por muito tempo (e isso fica ainda mais evidente nos últimos 10 or so capítulos do mangá também!).
Essa temporada também teve bastante Damianya, que é o seu típico “parzinho” infantil que eu, particularmente, adoro. Eu acho as interações entre os dois engraçadíssimas, porque como a Anya é um ano mais nova que as outras crianças da turma, as reações e motivações dela são ainda mais infantis do que as dos outros, enquanto o Damian é o garoto envergonhado que precisa manter as aparências, ai, é ótimo.
A próxima temporada deve chegar bem perto dos capítulos, por isso não sei o que pode acontecer a partir da 5ª — se vão dar uma de Fullmetal Alchemist ou se vão colocar o anime em hiatus indeterminado e só fazer a temporada nova depois que já tiver uns 30 capítulos publicados… não tenho a menor ideia. No momento, a S03 foi até o capítulo 87 e enquanto escrevo essa news, o Endo lançou 134 capítulos, então assim… 😬🆘
Até agora, nem a 4ª temporada foi confirmada, então é capaz que demorem dois anos para lançar como foi da última vez, o que vai ajudar a acumular mais capítulos. Para quem não está lendo, mas está assistindo, eu diria para se preparar porque a próxima temporada vai ter mais Damianya e provavelmente também um monte de TwiYor, dependendo de até onde eles resolverem ir, por isso eu acho que vai ser minha preferida!
Enfim! Assistam Spy X Family e leiam o mangá também, mas só se vocês quiserem uma dose de felicidade em suas vidas!
Como mencionei anteriormente, estou escrevendo praticamente sem parar desde meados de abril, por isso tenho textos! Tudo faz parte do livro da Solene, mas ainda é um mistério se tudo vai entrar na edição final (spoiler: não vai).
Acontece que eu preciso colocar esse universo no papel! Por isso estou escrevendo sem freio. Mais pra frente, com as peças prontas, poderei encaixá-las no quebra-cabeças e decidir quem está sobrando.
Sendo assim, toma aqui o comecinho do potencial capítulo 1 do livro da Solene! Nada foi revisado, então leia apenas nas vibes e na fé de que vai ficar bom um dia.

2.105
Em tese, bastava apertar um botão para que o telão na frente da sala descesse e era exatamente por isso que a professora saiu logo em seguida para resolver sabe-se Deus o que, deixando vinte e tantos alunos sob uma meia-luz aguardando o próximo passo.
As cortinas tinham sido fechadas e um burburinho leve começava a tomar conta da turma quando o telão entortou um pouco em sua descida e… parou.
Só um terço dele tinha feito o que devia fazer.
Era irônico porque as pessoas esperavam que uma escola particular como aquela não fosse ter esse tipo de problema, mas talvez fosse exatamente isso que tornasse a cena um tanto quanto engraçada, ao ponto de alguns alunos cutucarem uns aos outros para mostrar o que tinha acontecido, risadinhas ecoando aqui e ali.
De sua carteira no fundo da sala — um lugar determinado a ele por causa da sua altura —, Adriel ajeitou os óculos e buscou com os olhos a representante de turma, Monica Yang, que sentava bem de frente para a mesa do professor colada à janela e conversava tranquilamente com sua amiga da carteira ao lado.
— Ô, Moyang! — alguém chamou antes que ele pudesse dizer qualquer coisa e ela ergueu a cabeça em direção à voz. — Cadê a professora? O negócio parou.
Tinha algo de muito encantador nos olhos grandes de Monica, o que gerava uma leve inveja em Adriel. Ela era calorosa, gentil e muito inteligente, com traços orientais quase inovadores. Só não dava pra dizer que não havia ninguém igual a ela, porque ela era a cópia de sua mãe e sua mãe era bem famosa: a família Jwa era uma gigante no mundo dos cosméticos, uma das primeiras a unir a tecnologia coreana com a naturalidade brasileira, e a atual matriarca vinha sendo o rosto da marca há mais de duas décadas.
Assim como Adriel, a família dela tinha dinheiro antigo. Mas diferente dele, ela exalava carisma.
— Será que a gente tenta arrumar? — ela perguntou levantando-se e indo para a frente da sala. Com jeitinho, puxou a ponta mais curta do telão e franziu a testa. — Espera. Dri?
Adriel era o segundo representante. Ele mesmo tinha se candidatado quando as aulas do 8º ano começaram e tinha conseguido o posto com incríveis 7 votos. De acordo com Monica, ela tinha votado nele.
— Dri, desliga o telão rapidão pra mim? — ela pediu e ele levantou na hora para ajudar. Os controles e computador ficavam no fundo da sala, perto de onde Adriel sentava, então rapidamente ele encontrou o correto e fez o que tinha sido solicitado, juntando-se à Monica logo em seguida.
— O que você tá pensando em fazer? — ele perguntou, controle em mãos.
— Vou tentar igualar aqui, parece que alguma coisa enroscou. Quando eu cheguei perto, ouvi o barulho como se a tela ainda estivesse tentando desenrolar. Acho que se a gente conseguir desenroscar esse lado, ela termina de descer.
— Deixa eu ver. — Adriel ofereceu, entregando o controle para Monica e trocando de lugar com ela.
Cuidadosamente, ele puxou o telão não por baixo, mas pelo tecido próximo ao topo, só para testar a resistência dele. Realmente parecia que tinha algo enroscado, o que era muito estranho, porque eles tinham usado esse telão poucos dias antes, mas Monica estava certa, era só conseguir soltar aquela ponta que tudo voltaria ao normal.
Por isso, Adriel trabalhou com calma e concentração, alterando a quantidade de força a cada puxada e gradualmente foi tendo progresso. Seu foco era tanto que nem percebeu que Monica tinha se afastado um pouco, mesmo que fosse claro que sua voz dando instruções estava um pouco mais distante e quando um último puxão liberou o tecido de vez, o maquinário voltou à vida e o telão desceu rendendo aplausos da turma.
Levemente confuso, Adriel olhou para seus colegas e viu que a professora tinha retornado e estava no meio da sala ao lado de Monica, que ainda tinha o controle em mãos, seu dedão logo acima do botão liga/desliga.
— Acho que não vamos precisar do zelador, então. — a professora brincou olhando para ele com um sorriso e estendendo a mão para que Monica lhe entregasse o controle. — Pode sentar, Dri, muito obrigada. Obrigada, Moniquinha.
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