O mês de abril… o que foi ele? Honestamente, não lembro. Passou que nem trem bala, mas passou por cima de mim, viu? Mas enfim.

Olá! Mês passado, inventei de assistir coisas. Não foram muitas coisas, mas foram coisas que ocuparam minha mente após terminar, então vou falar sobre elas ao longo dessa newsletter.

Além de ter assistido coisas, lembrei de uma fanfic que eu tinha escrito e me peguei imaginando como ela ficaria em português. Como aquela fic era apenas um recorte (um recorte muito legal, inclusive!), eu preciso escrever em volta dela e até então, eu estava achando que se tornaria uma história completamente separada das outras que estão nas minhas pastas incompletas.

Mas então, né… lá estava eu novamente escrevendo uma história ambientada no interior de São Paulo…….. e se desse pra encaixar ela um pouco em Bico da Mata? 👀 E talvez dê! Mas eu só escrevi, tipo… 1000 palavras muito ruins até agora, então não posso afirmar nada ainda.

O trecho que eu escrevi vai entrar nessa newsletter, no final dela, então não temos nada oficial de Bico da Mata dessa vez. ENTRETANTO ☝🏽 trago novidades! O conto principal que foi submetido ao concurso foi rejeitado 😅 o que quer dizer que posso trabalhar o texto para tentar publicar independente esse ano ainda.

Por isso, aqui está o plano: até julho, vou tentar finalizar a história da Tulipa. Bea, quem é Tulipa? Leia essa newsletter até o final para saber. De agosto pra frente, terminando a história da Tulipa ou não, vou pegar firme no texto de Bico da Mata. Já tenho quem faça a diagramação e já pedi ilustração da Jordana, uma das protagonistas, então com fé em Deus DJ esse ano mesmo teremos minha primeira publicação original sob o nome Beatrice Romeiro 🙏🏼 E isso é um tanto quanto empolgante!

Agora, bora pras cinco coisas e um texto de abril? Bora!

📺 Se a vida te der tangerinas (2025)

Eu acho que encontrei a série coreana que vai superar Goblin pra mim e sabe o que é mais engraçado? Eu nem ia assistir essa série, porque não vou com a cara do Park Bogum 😅 Mas depois que a minha amiga Thanny comentou o que achou da série, resolvi dar uma chance.

Se a vida te der tangerinas conta a história de Aesun, uma garota da ilha Jeju que sonhava em ser poetisa, mas que teve que enfrentar coisas de mais na vida. A gente acompanha a Aesun desde quando era criança até a terceira idade, mostrando todas as fases boas e ruins da vida dela e de sua família.

São dezesseis episódios que o trailer acima não consegue resumir de maneira intrigante o suficiente, mas acredite em mim quando eu digo que essa série tem um enredo brilhante! IU interpreta tanto a Aesun jovem quanto a filha mais velha do casal, Geum-myeong, e eu acho que foi a primeira vez que assisti algo do Bogum em que achei que ele realmente estava atuando bem.

Essa série parece que foi feita para quem, assim como eu, tem pais que fizeram sempre o melhor que podiam diante das circunstâncias. Nada nunca é fácil para Aesun e Gwansik, mas minados de muito, muito amor, a família cria raízes fortes, realiza sonhos e se entrelaça de maneiras que são tanto dolorosas quanto tocantes.

Cada episódio é um chorinho, verdade. Alguns mais chorinhos que outros, até porque os próprios personagens são uns chorões. Uma das partes mais engraçadas (que é um dos trechos que a Netflix já divulgou nas redes) é no casamento da filha mais velha. Geum-myeong fala o caminho inteiro que não quer ninguém chorando, mas seu irmão Eun-myeong, ao volante, está aos prantos. E antes de entrar na igreja, ela fala novamente pro pai que não é pra ele chorar, mas uma fala dele desencadeia numa maré de emoções e ela acaba chorando a cerimônia toda 😂 É o irmão chorando, ela chorando, o pai chorando… Dessa vez, só a mãe que não chorou 😂

Às vezes, me pego lembrando de cenas dessa série e acabo chorando de novo, porque essa série foi TÃO. LINDA. Sério. Ela tem um ótimo equilíbrio entre drama e humor, as atuações são sensacionais, a fotografia é linda e o enredo é impecável. E é claro que eu to chorando escrevendo essa mini-resenha.

Pra quem for dar play, se prepare para uma história slice of life, coming of age belíssima. Eu não gosto de algo assim há muito tempo, então leve essa indicação a sério, hein?

🎧 KiiiKiii — GROUNDWORK

Resolvi que tenho netas!

Quando a Starship anunciou um novo grupo feminino num estilo guerrilha, sem dar muita informação sobre elas, eu não dei muita importância, mas visto que era um grupo da Starship, fui conferir.

Eis que me deparo com o KiiiKiii. O pré-single de debut delas, I do me, é okayzinho e a title promovida no debut oficial, BTG, é bem legal, mas ao ouvir o álbum, o que brilhou mesmo foi GROUNDWORK e eu estou tão feliz por ela ter ganhado vídeo!

O motivo pra essa música ser a melhor do álbum? Bem, é difícil não ser a melhor quando você bebe da fonte do Gorillaz, né, meu povo? Extremamente industrial, pretenciosa de te deixar com aquele sorriso de canto da boca e com um visual sensacional no MV, só não gosta dessa música quem é chato.

📺 De volta às raízes (2023)

Estamos em Jeju novamente. Isso não foi proposital, eu juro! Lembro que quando De volta às raízes foi lançado, eu tinha acabado de assistir algumas coisas da protagonista Shin Hyesun (acho que tinha sido Sr. Rainha, Vejo você na próxima vida e Última missão de um anjo: amor) e estava com medo de enjoar da cara dela, por isso deixei pra depois e só depois de dar play mais pro final de abril que percebi que estava na ilha de novo.

Samdalri também se passa em Jeju e a mãe da protagonista também é mergulhadora assim como a mãe da Aesun de Tangerinas, mas as duas histórias não poderiam ser mais diferentes.

Cho Samdal e Cho Yongpil nasceram no mesmo dia. Filhos de melhores amigas que possuem o mesmo nome, mergulhadoras e vizinhas, eles cresceram juntos “com duas mães” devido a uma promessa que as Michas fizeram uma para a outra quando as crianças nasceram — Go Micha cuidaria de Yongpil na ausência de Boo Micha, e Boo Micha cuidaria das meninas de Go Micha na ausência dela.

Acontece que Boo Micha acaba falecendo e depois disso, o relacionamento das duas famílias acaba ficando… difícil. E os inseparáveis Samdal e Yongpil acabam tendo que se separar… Até que outro golpe do destino leva as irmãs lua1 de volta à ilha (de volta às raízes, pegou? heh) e as pessoas não têm escolha além de se entenderem.

Welcome to Samdalri é uma história tanto sobre Samdal quanto sobre sua mãe e suas irmãs, e ainda mais sobre o vilarejo de Samdalri, a família Cho da casa ao lado e os Boo, e às vezes dá mais vontade de saber sobre os personagens secundários do que dos protagonistas não porque o que estava acontecendo com eles era desinteressante, mas porque era previsível 🤫 se um dia aparecerem com um spinoff focado na irmã mais nova da Samdal, vou assistir com prazer, porque ela era minha personagem preferida! hehe

Em resumo, Samdalri é o tipo de série para você assistir numa boa, enquanto Tangerinas é pra fazer você pensar na vida. Duas faces da ilha Jeju, eu acho, e eu recomendo ambas.

🎧 KAI — Wait on me

Ele mal podia esperar, né? Justo!

Como todo lançamento do Kai (EXO), eu fui assistir/ouvir porque era ele, mas sem esperar muita coisa. Os dois primeiros lançamentos solo da carreira dele (Mmmh e Peaches) eram músicas, mas só Rover realmente virou uma personalidade com fandom próprio, por isso eu não tinha muitas expectativas, mas eu devia ter previsto que o homem tava sedento depois de quase dois anos no exército.

Primeiro o Kai soltou Adult Swim e eu achei que fosse ficar presa nela, mas então dei play em Wait on me e assim…….. um homem latino fazendo latinidades, minha gente, não tem como, só pode ser hit! Eu nem sei explicar o que tem nessa música, mas basicamente, ele pegou o que funcionou em Rover, repaginou, aproveitou que o pós-exército o deixou mais gostoso que nunca (sério, vejam o Choom desse homem!!!) e resolveu fazer história novamente.

Por acaso eu acho que Wait on me ou Adult Swim vão fazer história como foi com Rover? Não. Mas nossa, se não é uma delícia um comebackinho do Kai assim, logo no começo do ano… 😋🍴

🎧 BOYNEXTDOOR — I love you

Como filhos do Zico que são, os BONEDO mais uma vez lançaram um hit. I love you foi lançada, na verdade, em dezembro ou janeiro? e tem estado na minha playlist desde então, mas foi só comigo voltando a trabalhar em regime home office e conseguindo botar o algoritmo do Youtube pra trabalhar que ela ganhou tração e nunca mais me largou.

Sempre existiu algo muito… endearing no BOYNEXTDOOR e às vezes, tal qual o pai deles, eles acertam em cheio no lançamento (But sometimes, ninguém jamais vai te superar!) ou erram muito feio (nunca perdoarei Earth, Wind and Fire), mas em geral, os meninos brilham quando assumem o humor de cebola que é encabeçado pelo líder Jaehyun e I LOVE YOU é um exemplo perfeito disso.

Ou vai me dizer que depois do primeiro refrão você também não ficou ONEULMAN I LOVE YOU AISHITERU MALHAGOOOOO?? Mentiu muito se disse que não.

Enfim, demorei muito pra biscoitar essa música e não tinha como adiar mais.

Era dois mil e sete quando ela os viu pela primeira vez.

O grupo diverso de crianças e adolescentes tinham ido parar na festa de aniversário da cidade e Tulipa, que acabara de completar dezessete anos, estava incumbida de ficar de olho nos mais novos, ela sendo uma das crianças mais velhas do abrigo e tudo mais.

Honestamente, ela não se importava muito em ter essa responsabilidade. Dali um ano, quando estivesse sozinha novamente, Tuli provavelmente se pegaria sentindo falta desses programas sem pé nem cabeça que as assistentes sociais inventavam numa tentativa de fazer a galera se sentir normal. Ela era uma pessoa nostálgica assim.

Existem três coisas que você precisa saber sobre Tulipa Souza.

A primeira é que ela não tem sobrenome.

Ela foi deixada ainda recém nascida à porta de uma igreja em Jaguariúna e o padre, desesperado com seu choro de bebê, a levou para o primeiro orfanato que conseguiu encontrar. Naquele orfanato havia uma tradição: se a criança não tem nome, ela ganha o nome do funcionário que a recebeu.

Então Souza era o nome da senhora de dedos gordinhos que conseguiu fazer com que ela se acalmasse e quem descobriu que por baixo da manta de hospital havia um body cheio de tulipinhas coloridas. Desde os oito anos, quando foi reencontrada e levada para um abrigo pela primeira vez, a garota considerava Tulipa seu único nome, embora o sobrenome ainda constasse em seus documentos.

Tuli gostava de viver sua vida conforme as oportunidades — que não eram muitas — se apresentavam para ela, mas era fácil dizer que ela jamais imaginaria que aquele aniversário da cidade seria uma oportunidade das grandes. Nem em retrospecto daria para chegar à essa conclusão, mesmo mais de uma década depois. Quando entrou na van pela manhã, seus únicos objetivos eram um, não perder nenhum dos pequenos e dois, comer pastel de carne com queijo. Talvez também beijar alguém interessante, mas em Engenheiro Coelho não dava pra botar muita fé nessa última parte.

Por isso, dar de cara com aquela banda no final da tarde, com o sol se pondo em laranja e o vento começando a cortar pelo seu casaco, foi uma surpresa tão grande.

Veja bem, Tuli não costumava se impressionar com muita coisa. Ela era orfã, pouco interessante e literalmente tinha se arrastado para fora do inferno aos doze anos de idade, mas de alguma forma, cinco pessoas num palco improvisado no centro da cidade tocando um misto de covers de pop rock e canções autorais tinha chamado sua atenção.

Nenhum deles parecia ser tão mais velho que ela assim, com exceção do baixista — um cara loiro sujo com pinta de maluco para o qual Tuli achou melhor não olhar muito. O baterista era um rapaz negro grandão do tipo que ela veria em filmes de futebol americano ao invés de uma pracinha qualquer no interior de São Paulo. Ele parecia muito compenetrado, tocava o instrumento com precisão de conservatório e, às vezes, arriscava umas linhas de rap melódico com sua voz grossa e agradável.

A guitarrista deles era mulher, uma garota magra de top preto e delineador pesado, as unhas curtas com esmalte desgastando tratavam as cordas da guitarra com descuido, mas carisma e seu cabelo preto liso completavam o look gótico que ela claramente queria transmitir. Como se fossem algum tipo de Linkin Park, a banda também contava com um DJ, um cara alto de cabelo liso e pele bronzeada, trabalhado na academia, comandava os discos e fazia o mais seco do rap com um estilo quase imbatível.

Para completar, o garoto nos vocais também tocava teclado. Ele cantava olhando para baixo, a boca perto do microfone sem perder o controle vocal, quase sem precisar olhar para as teclas na altura do seu quadril. O pouco do seu rosto que estava visível ainda exibia aquela acne adolescente que ela também tinha, embora Tuli chutasse que ele fosse mais velho que ela tal qual os outros. Ele tinha o cabelo ondulado tão preto que quase parecia azul, longo o suficiente para não dar para ver seus olhos e seus membros longos enfatizavam sua magreza mas, acima de tudo, ele era uma estrela.

No meio da praça movimentada como se fosse quermesse, de mãos dadas com duas crianças do abrigo, Tulipa os admirou de queixo levemente caído não apenas porque tinha uma banda de garagem tocando rock em uma cidade do sertanejo, mas porque eles eram bons. Claro que de vez em quando tinha uma microfonia e às vezes um deles ficava meio descompassado, mas se tinha algo que Tuli era boa em ver, era talento. E isso eles tinham de sobra.

A apresentação ocupou cerca de quarenta minutos do evento entre músicas conhecidas e agradecimentos aos patrocinadores e políticos. A introdução dos membros da banda passou batido por todo mundo menos ela, que já se direcionava para a barraca de tiro ao alvo com os dois meninos que estavam em sua cola. Um risinho escapou do canto de sua boca quando o baixista se despediu do palco.

— Nós somos a banda Rascals, obrigado galera! Procurem a gente no Orkut!

Uma das assistentes sociais entregou os vale-compras de barraquinhas de comida para Tulipa quando estava começando a escurecer e ela estava começando a ficar maluca com as crianças reclamando de fome. No palco, um grupo de estudantes com maquiagem barata e calças de legging dançavam Perla, então ela chamou os pequenos e perguntou o que eles queriam comer, já os direcionando para as barracas do outro lado da praça. Ela pegou dois cachorros quentes completos antes de seguir para a barraca de pastel para pedir dois pastéis de carne com queijo e três de refrigerantes.

Um final de tarde de quermesse sempre era um abarrotamento de gente, então enquanto esperava seu pastel ficar pronto, aguardando no meio de gente que não estava entendendo se ali era para pedir ou para pegar o pedido, Tuli os viu novamente no momento em que a moça da barraquinha chamou um deles.

— RUSSO? — A moça disse de um jeito potente, pastel em mãos pronta para entregar para a primeira pessoa que assumisse ter aquele nome.

O baterista grandão correu para a beira da barraca de pastel e agradeceu à moça educadamente.

— Só esse que ficou pronto? — Ele perguntou com um sotaque levemente carioca e ela deu uma olhada na fila de pastéis que já estavam embalados.

— Paula e ALT também. — Ela disse.

— Eu levo pra eles. — Russo ofereceu e após olhar além dele, para o pessoal da banda que estava ali, olhando para a barraca com tanta expectativa quanto Tuli sabia que ela estava, a moça entregou os outros dois pastéis para ele.

Levou um tempão para o nome de Tulipa ser chamado. Tanto que ela começou a ficar com medo, porque ela queria muito conversar com aquele pessoal da banda e não daria pra fazer isso se eles terminassem de comer e fossem embora. Ela não tinha Orkut, não tinha computador. De que outra maneira ela poderia dizer pra eles o que sentiu senão ali e naquele momento?

Por sorte, aquela garota Paula decidiu pedir mais um pastel bem na hora que Tuli estava esquentando as mãos em seu pedido recém-entregue, então ela se apressou em ir na direção dos Rascals e tentar conversar um pouco. O primeiro a notar sua presença foi Russo, que agora comia um cachorro quente. Ele a olhou de um jeito suave e sorriu sem mostrar os dentes, de longe a pessoa mais convidativa ali.

— …que a gente tem que começar a ser mais seletivo no que vai topar fazer… — O baixista dizia quando ela chegou.

— Licença. — Tuli interrompeu olhando de um para o outro nos olhos até encontrar alguém além de Russo que não se revoltasse com sua aproximação. Por incrível que pareça, todos eles pareciam bem receptivos, ainda mais depois do que ela disse a seguir. — Vocês mandaram muito bem no palco.

— Ah. — O baixista disse, endireitando a postura. — É claro! Mas obrigado mesmo assim, amor.

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